Mulheres reféns da violência (Correio Braziliense)

Na semana que antece o Dia Internacional da Mulher, uma vítima foi estuprada e outra assassinada. Os casos reforçam a necessidade de medidas que contribuam para coibir e punir com rigor ocorrências desse tipo

O Distrito Federal registrou, em 2016, números estarrecedores relativos à violência contra a mulher. A Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social contabilizou 19 feminicídios, além de 17 tentativas de assassinato contra pessoas do sexo feminino. No ano passado, houve, ainda, 1.907 ocorrências relativas à lesão corporal dolosa fora do ambiente doméstico e outras 2.546, no ambiente doméstico – os índices têm como parâmetro os delitos enquadrados pela Lei Maria da Penha. Foram registrados ainda 8.279 relatos de ameaças. Não há levantamento dos dados deste ano. No entanto, na semana que atencede as comemorações do Dia Internacional da Mulher, casos de violência reforçam a situação de vulnerabilidade delas.

Registros desse tipo de ocorrência vieram a público nos primeiros dias do ano. Em 15 de janeiro, Poliana Alves de Santana, 27 anos, foi assassinada durante discussão com o marido, Renilson Souza dos Santos, 28. O homem matou a ex-companheira com um corte na testa e perfurações no pescoço, no ombro e abaixo da clavícula. À época, Renilson precisou ser levado ao hospital, pois também estava ferido.

Outro caso recente que chocou a população do DF foi o estupro de uma mulher na 609 Norte, por volta das 23h. Um motociclista, armado com uma faca, estuprou uma jovem de 19 anos na parada de ônibus da quadra. A vítima esperava o coletivo com uma amiga de 17 anos, que não pôde pedir socorro devido às ameaças. Após a sessão de violência, o homem fugiu na motocicleta e, até então, não foi identificado. Apenas em 2016, foram registrados 666 estupros no Distrito Federal, segundo a secretaria.

Diante do cenário de violência, especialistas reforçam a necessidade da elaboração de medidas efetivas que contribuam não só para a diminuição dos índices de feminicídio, como também dos de estupro e outros tipos de violência contra a mulher. “Precisamos da criação de locais que acolham as mulheres até o momento em que elas se sintam seguras. Necessitamos, ainda, de mais canais de denúncias e de acolhimento e de políticas públicas otimizadas”, argumenta a doutora em direito pela UnB Soraia Mendes.

Na avaliação da especialista, o número de registros tende a aumentar à medida que os canais de denúncia e de investigação crescem. “Com mais delegacias especializadas e agentes preparados as mulheres se sentem mais acolhidas para trazer os casos a público”, completa. Essa conjuntura pode favorecer também, segundo Soraia, a elucidação dos casos de violência contra a mulher.

Investigação

Agora, a Polícia Civil do DF investiga a morte da técnica de enfermagem Talita Moreira Souza, 19, brutalmente assassinada com um corte no pescoço. Ela foi encontrada morta, no último domingo, em um matagal próximo à estrada de terra que dá acesso ao acampamento Chico Mendes, na BR-060. Nesta sexta-feira, a corporação ouviu o ex-namorado da vítima pela segunda vez. Ele é o principal suspeito, mas os investigadores acreditam no envolvimento de mais de uma pessoa.

Novamente, em depoimento, o rapaz negou a autoria do delito. Segundo relatos de familiares e amigos, Talita recebia constantes ameaças do homem, com o qual terminou, em meados de dezembro, o relacionamento de cerca de dois anos. Entre os trâmites necessários à conclusão do caso, o delegado-chefe da 32ª Delegacia de Polícia, Júlio César de Oliveira Silva, aguarda os resultados dos exames periciais, além da análise de imagens captadas nas redondezas do local onde o corpo estava. “Ainda estamos colhendo informações e ouvindo depoimentos”, informa o titular da DP. Talita foi encontrada degolada, com um saco na cabeça, no último domingo.

Ao Correio, familiares informaram que se pronunciarão sobre o caso apenas após o retorno da mãe da moça, que viajou à cidade onde reside, Formosa do Rio Preto (BA), para velar o corpo da filha. Amigos, entretanto, não pouparam palavras carinhosas à menina que, aprovada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cursaria enfermagem neste ano. “Era carinhosa e empenhada. Apesar de humilde e tímida, fazia bem a todos ao redor. Nos aproximamos por trabalharmos no mesmo setor. Lá, os veteranos ensinam os mais novos. Com o tempo, nos apegamos bastante”, conta a técnica de enfermagem Patrícia Gomes, amiga de Talita há oito meses.

O assassinato da garota também causou comoção nas redes sociais. Em fotos antigas, amigos deixaram palavras de amor e solidariedade à família. “Agora, ela está brilhando no céu. Que Deus conforte o coração da família que perdeu essa princesa”, escreveu uma moça.

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